Circulação das idéias e história dos saberes geográficos : hierarquias, interações e redes - Circulation de la connaissance et histoire des savoirs géographiques : hiérarchies, interactions et réseaux - Circulation of ideas and history of geographical knowledge : hierarchy, interactions and networks, Rio de Janeiro, 16th - 20th December 2014
Article mis en ligne le 22 janvier 2015
dernière modification le 12 mars 2015

par F.F.
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  • André Reyes Novaes – UERJ andrereyesnovaes@gmail.com
  • Federico Ferretti – Université de Genève federico.ferretti@unige.ch
  • Guilherme Ribeiro – UFRRJ geofilos@mns.com

http://terrabrasilis.revues.org/1313

Entre 16 e 20 de dezembro de 2014, no edifício histórico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), campus Praia Vermelha, ocorreu a conferência regional da Comissão de História da Geografia da União Geográfica Internacional (UGI). Graças ao envolvimento dos membros cariocas da Rede Brasileira de História da Geografia e Geografia Histórica (Rede Brasilis), Sergio Nunes Pereira (Universidade Federal Fluminense [UFF]) à frente, os cinquenta e quatro participantes oriundos do Brasil, Argentina, Chile, Peru, Estados Unidos, Índia, Espanha, Suíça, França e départements d’outre-mer compartilharam momentos muito agradáveis de trabalho e de convivência.
Um primeiro aspecto a destacar versa sobre o plurilinguismo de encontros como esse : as palestras e os diálogos com o público alternavam-se entre português, espanhol, francês e inglês. A despeito das dificuldades colocadas pela ausência de uma tradução simultânea, foi feito um esforço por parte da Comissão visando recusar qualquer hegemonia linguística e, sim, promover a utilização de uma pluralidade de idiomas científicos a partir da base de localização de cada uma das conferências periódicas organizadas pela referida Comissão. Dado o imperativo de expressar o mundo de outras maneiras, os conhecimentos geográficos devem, portanto, estar no centro desse processo, cujos efeitos políticos ainda estão em vias de realização em escala mundial.
Na impossibilidade de resumir todos os trabalhos, limitar-nos-emos a sintetizar alguns pontos temáticos e metodológicos que nos pareceram mais significativos e que representam grande parte dos pesquisadores que frequentam as conferências da Comissão de História da Geografia da UGI.
Inicialmente, a chamada para trabalhos inspirada pela idéia de circulação dos saberes é um indício de um progressivo afastamento perante as narrativas tradicionais focadas ao redor da noção positivista de um desenvolvimento progressivo e linear da ciência geográfica, perspectiva esta limitada a um olhar nacional (quase sempre nacionalista) versando sobre as chamadas “Escolas Nacionais”. Esta forma de conceber a história da disciplina foi responsável por encerrá-la nos círculos universitário e acadêmico, tendo como consequência o esquecimento do papel mais amplo jogado pela geografia em nossas maneiras de conceber o espaço, de representar as imagens que temos sobre o mundo e de entender a modernidade. Igualmente, não nos restringimos mais à história das idéias de gênero “internalista” ; pelo contrário, interessamo-nos cada vez mais pelos processos sociais por meio dos quais os saberes são elaborados. Evocado no título da Conferência, o conceito de rede é tido de agora em diante como elemento central de um enfoque da história da geografia que incorpora as ferramentas conceituais e metodológicas da sociologia das ciências. Com frequência, tal conceito aproxima-se ao de circulação, e uma grande parte das comunicações debruçaram-se sobre experiências de cooperação científica internacional e de transferências culturais, analisando as vantagens e os empecilhos ligados à tradução das idéias e dos saberes entre diferentes espaços geográficos.
Outro instrumento fundamental para compreender a produção e a circulação de saberes é a análise de suas localizações. Tal como uma rica literatura internacional vem revelando, o espaço assume seu papel na construção científica, e os lugares de produção são considerados atores de destaque neste processo. Trata-se, enfim, de situar a ciência em seu lugar e em seus contextos, que podem implicar em uma gama de lugares (institucionais, universitários ou extra-universitários) no interior dos quais estão atores científicos, editores, sociedades intelectuais, circuitos políticos e militantes... De modo geral, isto nos permite entender a indissociabilidade entre a política e a geografia dos saberes. O estudo destes lugares de produção pode fornecer um conjunto de experiências sociais, econômicas, culturais e ideológicas : afinal, mesmo se o planeta é cada vez mais mundializado, os sujeitos do conhecimento científico não deixam de ser/estar localizados e situados em seus hábitos, línguas e costumes.
Várias apresentações também abordaram a crítica aos mapas imperiais, assim como a questão da constituição dos saberes coloniais ou produzidos em situação colonial. Habitualmente, a história da cartografia ocupa lugar de destaque em tais abordagens : embora reconheçamos a relevância da fotografia, da pintura e do cinema, as cartas ainda parecem ser consideradas as representações espaciais da geografia por excelência. De qualquer modo, observamos uma apreciação das imagens como fontes de informação para o estudo da produção e da circulação do conhecimento geográfico. Por meio dos aportes críticos visando desconstuir as hierarquias e os contextos de produção, a história da cartografia pode contribuir para a atual emergência de diferentes formas de contar a história da geografia.
No que concerne às atividades externas, os participantes do Colóquio tiveram a chance de realizar uma visita ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro (http://www.jbrj.gov.br/), bem como à Biblioteca Nacional (http://www.bn.br/), onde suas ricas coleções de cartografia e de manuscritos foram apreciadas. Esta exposição foi organizada especialmente para os congressistas ; porém, em seguida, a Biblioteca Nacional achou por bem divulgá-la ao público em geral (http://www.bn.br/acontece-bn/agenda/2014/12/geo-grafia-escrita-leitura-terra-livro-raro).
Após a reunião final de trabalho, a Comissão supracitada reforçou seu engajamento no sentido de levar as temáticas da história da geografia para os próximos congressos da UGI — notadamente, Moscou em 2015 e Pequim em 2016 —, bem como às conferências regionais independentes que, até o momento, possuem notório êxito. No que tange a Moscou 2015, lançou-se uma chamada suplementar para uma sessão comum junto à Comissão Geografia Política, seguindo a experiência pioneira ocorrida em agosto de 2014 em Cracóvia. Inspirada pelo célebre artigo de Piotr Kropotkin How Geography Ought to Be (1885) , a nova sessão conjunta interrogará a geografia (política) como instrumento de paz.
Ademais, na sequência do ocorrido na Conferência de 2013 em Manchester, uma sessão da Comissão de História da Geografia acontecerá no âmbito do XXV Congresso Internacional de História das Ciências, da Tecnologia e da Medicina, a ser realizado em 2017 na cidade do Rio de Janeiro. O objetivo é o de demandar uma participação substancial de geógrafos interessados em história das ciências e, particularmente, na história de sua disciplina.
Para finalizar, se em 1891 Élisée Reclus pôde escrever, a propósito de um projeto em colaboração com o geógrafo alemão Albrecht Penck, que “através de nossa aliança, sairemos desse abominável e vergonhoso impasse entre ‘ciência francesa e ciência alemã’ que dói no coração , atualmente podemos dizer que instituímos nossos esforços por uma história cosmopolita da geografia.

La conférence régionale de 2014 de la Commission Histoire de la Géographie de l’Union Géographique Internationale a eu lieu du 16 au 20 décembre dans le bâtiment historique de l’Université Fédérale de Rio de Janeiro à Praia Vermelha. Grâce au dévouement des membres carioca du Réseau Brésilien d’Histoire de la Géographie et de Géographie Historique (Rede Brasilis), coordonnés par Sergio Nunes Pereira (Université Fédérale Fluminense - UFF), les 54 intervenants en provenance de Brésil, Argentine, Chili, Pérou, États-Unis, Inde, Espagne, Suisse, France et DOM-TOM, ont pu partager des moments très agréables de travail et de convivialité.
Un premier élément à souligner est le plurilinguisme de ces rencontres : les communications et les débats se sont alternés en portugais, espagnol, français et anglais. Malgré les difficultés déterminées par l’absence d’une traduction simultanée, cela fait état de l’effort, de la part de la Commission, de refuser toute hégémonie linguistique et de promouvoir l’utilisation d’une pluralité de langues scientifiques, sur la base de la localisation de chacune des conférences périodiques qu’elle organise. Et s’il faut parler du monde autrement, les connaissances géographiques doivent être alors au centre de ce projet.
Dans l’impossibilité de détailler tous les travaux, nous nous limitons à résumer les points thématiques et méthodologiques qui nous ont paru les plus significatifs dans les communications présentées, représentant le travail d’une grande partie des chercheurs qui fréquentent les conférences de la Commission Histoire de la Géographie de l’UGI.
D’abord, l’idée de la circulation des savoirs lancée dans l’appel à communications est indicative d’un progressif éloignement des chercheurs par rapport aux narratives traditionnelles focalisées sur l’idée positiviste de développement progressif et linéaire de la discipline géographique, voire limitées à un point de vue national ou nationaliste portant sur telle ou telle autre école nationale. Cette manière de concevoir l’histoire de la géographie a été responsable de son enfermement dans des limites universitaires et académiques, dont une conséquence fut l’oubli du rôle plus général joué par la discipline, tandis qu’on reconnaît désormais que c’est la géographie lato sensu qui a créé notre façon de concevoir l’espace et nos images du monde et de la modernité.
De même, on ne se limite plus, généralement, à une histoire des idées plutôt « internaliste », mais on s’intéresse de plus en plus aux procès sociaux et sociologiques par lesquels les savoirs se produisent. Le concept de « réseaux », évoqué dans le titre de la conférence, est donc considéré désormais comme élément central d’une approche de l’histoire de la géographie assumant les outils conceptuels et méthodologiques de la sociologie des sciences.
Le concept de réseau s’apparente souvent à celui de circulation : une grande parte des communications ont porté notamment sur des expériences de coopération scientifique internationale et de transfert culturel, analysant les avantages et les difficultés de la traduction des idées et des savoirs de l’espace d’une aire culturelle (et géographique) à une autre.
Un outil fondamental pour comprendre la production et la circulation des savoirs est aussi l’analyse de leurs localisations : comme une riche littérature internationale vient de démontrer, l’espace joue un rôle dans la construction de la science, et les lieux de sa production sont considérés comme des acteurs à part entière de sa fabrique. Il s’agit finalement de mettre la science à sa place et dans ses contextes, qui peuvent impliquer une pluralité de lieux à l’intérieur desquels les acteurs scientifiques se situent, et qui peuvent être institutionnels et universitaires ou bien extra-universitaires, comme dans le cas d’éditeurs, sociétés savantes, circuits politiques et militants … De façon générale, cela nous permet de comprendre l’indissociabilité entre politicité et géographicité des savoirs. L’étude de leurs lieux de production nous fournit des ensembles d’expériences sociales, économiques, culturelles et idéologiques. Même si la planète est toujours plus mondialisée, les sujets de la connaissance scientifique n’en sont pas moins à considérer comme localisés et situés.
Plusieurs communications, enfin, ont porté sur la critique de la carte impériale, s’insérant dans la classique littérature internationale sur ces sujets, ainsi que sur la question de la construction des savoirs coloniaux ou produits en situation coloniale. L’histoire de la cartographie trouve souvent une place de choix dans ces démarches : tout en reconnaissant l’importance de la photographie, de la peinture et du cinéma, les cartes semblent encore être considérées comme les représentations spatiales par excellence de la géographie. Toutefois, nous observons une appréciation croissante des images en tant que sources d’information pour étudier la production et la circulation de la connaissance géographique. À travers des approches critiques visant à déconstruire les hiérarchies et les contextes de production, l’histoire de la cartographie peut contribuer à la présente émergence de différentes façons de raconter l’histoire de la géographie.
Les participants au colloque ont été également conviés à des activités externes, notamment une visite au Jardin botanique de Rio http://www.jbrj.gov.br et une matinée à la Bibliothèque Nationale http://www.bn.br/ pour visiter ses riches collections de cartographie et de manuscrits. Une exposition d’anciens atlas a été organisée exprès pour les congressistes à cette occasion et ensuite mise à la disposition du public http://www.bn.br/acontece-bn/agenda/2014/12/geo-grafia-escrita-leitura-terra-livro-raro
Après la réunion finale de travail, la Commission Histoire de la Géographie de l’UGI a confirmé son engagement pour porter les thématiques de l’histoire de la géographie à l’intérieur des prochains congrès de l’UGI, notamment celui de Moscou en 2015 et celui de Pékin en 2016, ainsi que pour prolonger ses conférences régionales indépendantes qui ont joui, jusqu’à ce moment, d’un clair succès. Dans le cas de la conférence de 2015 à Moscou, on a également lancé un appel à communication supplémentaire pour une séance commune avec la Commission Géographie Politique, suivant la première expérience en ce sens qui a eu lieu à Cracovie, août 2014. La nouvelle séance conjointe portera également sur l’interrogation de la géographie (politique) en tant qu’instrument de paix, inspirée par le célèbre article What Geography Ought to Be de Pierre Kropotkine.
En plus, faisant suite à l’expérience de la conférence de 2013 à Manchester, une session de la Commission Histoire de la Géographie aura lieu dans le cadre du 25e ICHSTM (Congrès International d’Histoire des Sciences, de la Technologie et de la Médecine), qui aura lieu à Rio de Janeiro en 2017, afin de solliciter une participation significative de géographes intéressés par l’histoire des sciences, et notamment par celle de leur discipline.
Finalement, si en 1891 Élisée Reclus pouvait écrire, à propos d’un projet de collaboration avec le géographe allemand Albrecht Penck, que « par notre alliance, nous sortirions de cette abominable et honteuse impasse de ‘science française et science allemande’ qui nous donne mal au cœur » , nous pouvons dire aujourd’hui qu’on ne ménage pas les efforts pour une (histoire de la) géographie cosmopolite.

The Regional Conference of the Commission of the History of Geography, part of the International Geographical Union, took place in the historic building of the Rio de Janeiro Federal University (UFRJ), at the Praia Vermelha campus, between the 16th and 20th December 2014. Thanks to the involvement of a team of local members of the Brazilian Network for History of Geography and Historical Geography (Rede Brasilis), led by Sergio Nunes Pereira (Fluminense Federal University [UFF]), the 54 participants from Brazil, Argentina, Chile, Peru, United States, India, Spain, Switzerland and France and its overseas departments, shared an especially nice working period during the conference.
Firstly, it is important to highlight the multilingualism characterizing meetings such as this : lectures and dialogues with the audience alternated between Portuguese, Spanish, French and English. Despite all the struggles presented by the lack of simultaneous translation, a joint effort was made by the Commission aiming to refute any linguistic predominance and, therefore, to promote the use of a number of scientific idioms based on the location of each one of the periodical conferences organised by the aforementioned Commission. Given it is imperative to express the world in different ways, geographical knowledge should be at the core of this process, whose political effects should still be seen in a world scale.
Unable to summarise all the work presented, we will limit our task to outlining some thematic and methodological points, which seemed to us more significant and representative of most papers presented by the researchers who attended the conference of the History of Geography Commission of IGU.
At first, the call for papers, inspired by the idea of circulation of knowledge, pointed to a gradual withdrawal from traditional narratives focused around the positivist notion of a linear and progressive development of the geographical science, a perspective often limited to a national gaze (almost always nationalist) relating to some “National Schools”. This way of conceiving the history of discipline was responsible for its confinement within academic and university circles, which as a consequence, led to forgetting the more general role cast by Geography in our ways of conceiving space, images of the world and modernity. Along the same lines, we do not restrict ourselves to the history of ideas in an “internalist” sense : on the contrary, we are progressively more interested in the social process, through which knowledge is elaborated. As the title of the conference suggests, the concept of network is understood from now on as the central element of History of Geography, which incorporates conceptual and methodological tools of sociology of science. Often, such a concept draws near to circulation, and a great part of the dialogues were addressed to experiences of international scientific cooperation as well as cultural transfers, analysing advantages and challenges related to translating ideas and knowledge between different geographical spaces.
Another fundamental tool in order to understand circulation of production and knowledge is the analysis of their locations. As a diverse international bibliography has been revealing, space takes over scientific construction, and places of production are considered remarkable agents in this process.
Therefore, it is about placing science in its place and contexts, which may result in a range of places (either institutional, university or beyond university), in which one can find scientific agents, editors, intellectual societies, political and militant circles...In general, this allows us to understand the inextricable connection between politics and the geography of knowledge. Studying these places of production may provide a number of social, economic, cultural and ideological experiences : after all, even if the planet is more and more globalized, subjects of scientific knowledge are still based and situated in their habits, languages and customs.
Many presentations also approached criticism of imperial maps, as well as the question of the constitution of colonial knowledge, or at least produced in colonial context. Usually, the history of cartography occupies a special place among such approaches : although we recognise the relevance of photography, painting and cinema, maps still appear to be considered the main spatial representation means of Geography par excellence. In any case, we observe an appreciation of images as a source of information for the study of geographical knowledge production and its circulation. Through critical contributions, aiming at deconstructing production contexts and hierarchies, the history of cartography may contribute to the current urge of having different ways of telling the history of geography.
Regarding external activities, participants at the colloquium had the chance to visit the Botanical Gardens in Rio de Janeiro (http://www.jbrj.gov.br/), as well as the Biblioteca Nacional (National Library) (http://www.bn.br/), where its rich mapping and manuscripts collection could be much appreciated. This exhibition was especially organised for participants of our conference ; however, soon after the Biblioteca Nacional decided to open it to the general public. (http://www.bn.br/acontece-bn/agenda/2014/12/geo-grafia-escrita-leitura-terra-livro-raro).
After the final meeting, the aforementioned Commission reinforced its commitment to carry themes of History of Geography further to the next conferences of IGU – notably, Moscow in 2015 and Beijing in 2016, as well as to regional independent conferences, which have, up to this point, achieved notable success. With regards to Moscow 2015, an additional call was made for a common session combined with the Political Geography Commission, following the pioneer experience in August 2014 in Krakow. Inspired by the famous article by Piotr Kropotkin How Geography Ought to Be (1885) , the new joint session will question (political) Geography as a tool for peace.
Moreover, following the example of the 2013 Manchester Conference, a session of the History of Geography Commission will take place in 2017 within the XXV History of Sciences, Technology and Medicine International Conference, in Rio de Janeiro. The main goal is to encourage a significant participation of geographers interested in history of sciences, particularly in the history of their own discipline.
To conclude, if in 1891, while writing a project together with the German geographer Albrecht Penck, Élisée Reclus wrote that “by our alliance we could escape from this dishonourable and awful impasse of ‘French science and German science’, which you can feel it in your heart” , we may now say that we joined our efforts for a history of a cosmopolitan geography.


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